Discursos e produção de sentidos sobre deficiência visual: vivências no campus da UFPA - Abaetetuba

Carregando...
Imagem de Miniatura

Tipo de Documento

Trabalho de Curso - Graduação - Artigo

Data

15-09-2025

Título(s) alternativo(s)

Tipo de acesso

Acesso Abertoaccess-logo

Citar como

SILVEIRA, Mary Evelyn Almeida da. Discursos e produção de sentidos sobre deficiência visual: vivências no campus da UFPA - Abaetetuba. Orientadora: Sandra Karina Barbosa Mendes. 2025. 28 f. Trabalho de Curso (Licenciatura em Pedagogia) – Faculdade de Educação e Ciências Sociais, Campus Universitário de Abaetetuba, Universidade Federal do Pará, Abaetetuba, 2025. Disponível em: https://bdm.ufpa.br/handle/prefix/9118. Acesso em:.
Este artigo investiga os modos pelos quais os discursos pedagógicos e institucionais da Universidade Federal do Pará (Campus Abaetetuba), produzem sentidos sobre deficiência visual e como tais construções simbólicas interferem na experiência de inclusão dos estudantes. Adotamos a abordagem qualitativa, e estudo de campo com elementos da análise do discurso de M. Foucault (2000). Participaram da pesquisa uma estudante com deficiência visual, uma docente e duas técnicas administrativas. Os dados foram produzidos por entrevistas semiestruturadas e tratados segundo etapas de transcrição, identificação de formações discursivas e análise das enunciações. Como referencial teórico, acionamos os conceitos de poder/saber, normalização, dispositivo, tecnologias de si, diferença, em diálogo com M. Foucault (2000; 1989), Veiga-Neto (2006), Silva (2014). Como principais resultados, emergiram séries discursivas de “ausência de preparo institucional”, “visão assistencialista”, “deficiência como carência sensorial”, “responsabilização individual do aluno” e “tolerância condicionada à adequação”. A acessibilidade aparece como uma correção técnica, e a inclusão opera mais por regulação, inclusão à norma, do que por transformação estrutural. A narrativa estudantil contrapõe deficiência e incapacidade, e evidencia invisibilidade social, estratégias de adaptação e agência política, mas também sentimentos de inadequação frente à normatividade visual. Tais discursos produzem sujeitos, delimitam pertenças e deslocam para o estudante a mediação de sua própria acessibilidade, mantendo a diferença sob lógica de acomodação. Conclui-se que, embora existam dispositivos institucionais voltados à acessibilidade, a efetivação de uma inclusão crítica demanda o enfrentamento dos discursos que sustentam normas de funcionalidade, normalidade e pertencimento. Este estudo contribui para o debate sobre a inclusão no ensino superior ao lançar luz sobre os efeitos dos discursos na produção da diferença e na experiência universitária de estudantes com deficiência.

Fonte

Fonte URI

Disponível na internet via correio eletrônico: bibabaetetuba@ufpa.br

Aparece na Coleção