Telejornal policial: forjando as imagens do corpo-alvo da criminalização e do extermínio

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Tipo de Documento

Trabalho de Curso - Graduação - Monografia

Data

19-12-2022

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FREITAS, Raquel de Jesus. Telejornal policial: forjando as imagens do corpo-alvo da criminalização e do extermínio. Orientadora: Nelissa Peralta Bezerra. 2022. 46 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Ciências Sociais) - Faculdade de Ciências Sociais, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará. Belém, 2022. Disponível em: https://bdm.ufpa.br/handle/prefix/9757. Acesso em:.
O principal meio de comunicação no Brasil ainda é a televisão aberta, presente em 91% dos lares brasileiros. A mídia corporativa tem poder de definir a agenda pública. Os telejornais policiais especializados em notícias de crime e violência estão entre os programas com mais alta audiência dando hiper-visibilização a crimes e delitos ligados à "guerra às drogas”. A hipótese deste trabalho é que esse fenômeno midiático promove uma ideologia da criminalização da periferia e seus moradores, por meio da classificação, hierarquização e estigmatização dos seus corpos e territórios e que existiria uma associação entre a frequência com que assistem os telejornais policiais e a adesão às suas narrativas autoritárias e punitivistas. A pesquisa foi realizada com abordagem qualitativa e quantitativa. Foram assistidas, transcritas e analisadas qualitativamente um total de 40 matérias do telejornal policial Balanço Geral-PA, exibido pela TV Record Belém no período entre Março e Junho de 2020. Os dados quantitativos foram levantados por meio de um survey, utilizando questionário auto-aplicado com moradores da região metropolitana de Belém, contando com a amostra final de 178 participantes. A partir da quantificação do nível de concordância com certas afirmações, foram construídos dois índices que mediam o nível de medo e o nível de propensão a posições autoritárias entre os integrantes da amostra. A amostra final contou 31 respondentes que foram considerados telespectadores de jornais policiais por terem respondido que assistem tais programas “muitas vezes por semana”. Os resultados apontam que entre aqueles telespectadores assíduos, a concordância com afirmações autoritárias é muito maior do que entre os que não assistem. Conclui-se que as narrativas acerca da violência evidenciada nos telejornais contribuem para a propagação do autoritarismo e do punitivismo entre os telespectadores, que por sua vez, permitem o apoio da opinião pública a políticas de segurança pública que atacam Direitos Humanos e ameaçam a democracia.

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Disponível na internet via correio eletrônico: bibhumanas@ufpa.br