Autenticação de bagres do gênero Brachyplatystoma revela substituição fraudulenta no comércio de pescado no estado do Pará

Carregando...
Imagem de Miniatura

Tipo de Documento

Trabalho de Curso - Graduação - Monografia

Data

23-02-2026

Título(s) alternativo(s)

Tipo de acesso

Acesso Abertoaccess-logo

Citar como

SANTOS, João Vitor Sá dos. Autenticação de bagres do gênero Brachyplatystoma revela substituição fraudulenta no comércio de pescado no estado do Pará. Orientadora: Simoni Santos da Silva. 2026. 17 f. Trabalho de Curso (Licenciatura em Ciências Biológicas) – Faculdade de Ciências Biológicas. Instituto de Estudos Costeiros, Campus Universitário de Bragança, Universidade Federal do Pará, Bragança-PA, 2026. Disponível em: https://bdm.ufpa.br/handle/prefix/9454. Acesso em: .
A autenticidade de produtos pesqueiros comercializados é uma questão de grande relevância para a conservação dos recursos naturais, de modo a garantir transparência nas relações de consumo e a segurança alimentar. Portanto, o presente estudo teve como objetivo autenticar produtos rotulados como dourada (Brachyplatystoma rousseauxii), filhote (B. filamentosum) e piramutaba (B. vaillantii) comercializados em supermercados e restaurantes do estado do Pará, bem como avaliar a ocorrência de substituições e a possível motivação dessas práticas. Foram analisadas 122 amostras de produtos congelados adquiridos em grandes redes de supermercados, sendo 62 rotulados como dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e 60 como piramutaba (B. vaillantii). Também, foram analisadas 84 amostras de pratos prontos comercializados em restaurantes, das quais 45 eram à base de dourada e 39 de filhote. Para as amostras provenientes de supermercados, a identificação ao nível específico foi realizada através de PCR multiplex da Região Controle do DNA mitocondrial e os resultados revelaram que 100% dos produtos rotulados como piramutaba foram autênticos, pois apresentaram padrão de banda característicos de Brachyplatystoma vaillantii (451 pb e 160 pb da banda controle). Por outro lado, apenas 58,1% dos produtos rotulados como dourada foram autênticos, apresentando padrões de bandeamento característicos de B. rousseauxii (580 pb e 160 pb), enquanto 41,9% (N = 26/62) das amostras foram substituídas e 23 identificadas como piramutaba (451 pb e 160 pb) e três sendo identificadas, por sequenciamento, como Sciades proops. Para os produtos de restaurantes utilizamos um protocolo de PCR multiplex minibarcode da COI e registramos substituição em 100% (N = 39) dos pratos comercializados como filhote, sendo possível identificar 17 amostras como dourada (88pb e 160 pb) e três como piramutaba (254 pb e 160 pb). Outras 19 amostras vendidas como filhote só apresentaram a banda controle de 160 pb e foram identificadas, por sequenciamento, como Brachyplatystoma platynemum (N = 18) e Brachyplatystoma juruense (N = 1). Dos pratos vendidos como dourada 55,6% (N = 25) foram autênticos apresentando padrão de bandas de 88 pb e 160 pb, enquanto 44,4% (N = 20/45) foram substituídos por piramutaba pois apresentaram padrão de bandas de 254 pb e 160 pb. Um padrão comum em supermercados e restaurantes é que as espécies alvo foram substituídas por peixes de menor valor comercial, indicando que as trocas tinham motivação econômica, o que caracteriza fraude comercial. Os resultados demonstram que os protocolos de PCR multiplex são eficientes, rápidos e de baixo custo, podendo ser aplicados para identificação de dourada, piramutaba e filhote em rotinas de fiscalização e certificação. Também é evidente a necessidade de elaboração de políticas públicas efetivas para a prevenção de fraudes no comércio do pescado.

Fonte

Fonte URI