Dinâmica epidemiológica dos atendimentos antirrábicos humanos no estado do Pará, região norte do Brasil

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Trabalho de Curso - Graduação - Monografia

Data

07-07-2026

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GOMES, Carla Letícia Corrêa. Dinâmica epidemiológica dos atendimentos antirrábicos humanos no estado do Pará, região norte do Brasil. Orientador: Rodrigo Petry Corrêa de Sousa. 2026. 36 f. Trabalho de Curso (Licenciatura em Ciências Biológicas) – Faculdade de Ciências Biológicas. Instituto de Estudos Costeiros, Campus Universitário de Bragança, Universidade Federal do Pará, Bragança-PA, 2026. Disponível em: https://bdm.ufpa.br/handle/prefix/9835. Acesso em: .
A raiva é uma zoonose viral de elevada letalidade que continua representando um importante desafio para a saúde pública, especialmente em regiões com grandes extensões territoriais e limitações de acesso aos serviços de saúde. No estado do Pará, as particularidades ambientais, geográficas e socioeconômicas podem influenciar a dinâmica dos atendimentos antirrábicos humanos e a vigilância epidemiológica da doença. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos atendimentos antirrábicos humanos registrados no estado do Pará entre os anos de 2014 e 2025. Trata-se de um estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, baseado em dados secundários obtidos no Painel de Notificação de Tratamento Antirrábico do Ministério da Saúde e no Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Foram analisadas as frequências de atendimentos, taxas de incidência, tipos de exposição, espécies animais envolvidas e condutas profiláticas adotadas. No período analisado, foram registrados 311.983 atendimentos antirrábicos humanos no Pará, correspondendo ao maior quantitativo da Região Norte. Observou-se tendência geral de redução da taxa de incidência ao longo da série histórica, embora com oscilações anuais. As mordeduras constituíram o principal tipo de exposição (277.285 registros), seguidas por arranhões (50.692). Os cães foram responsáveis pela maior parte dos atendimentos (78,75%), seguidos pelos gatos (14,24%). Entre as medidas profiláticas, a vacinação foi a conduta mais frequente, com média anual de 5.850 registros. Observou-se ainda aumento pontual das notificações envolvendo morcegos no ano de 2018, coincidindo com registros de casos humanos de raiva no estado. Conclui-se que os atendimentos antirrábicos humanos no Pará estão predominantemente associados à exposição envolvendo animais domésticos, embora a participação de espécies silvestres reforce a necessidade de vigilância contínua. Os resultados evidenciam a importância do fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, educação em saúde e acesso oportuno à profilaxia pósexposição, especialmente em áreas com dificuldades geográficas de acesso aos serviços de saúde.

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