DNA Barcoding revela diversidade molecular na espécie Eleotris melanosoma Bleeker, 1853 (Eleotridae: gobiiformes)

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Trabalho de Curso - Graduação - Monografia

Data

16-07-2026

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GORDO, Vinícius Cunha. DNA Barcoding revela diversidade molecular na espécie Eleotris melanosoma Bleeker, 1853 (Eleotridae: gobiiformes). Orientador: Marcelo Nazareno Vallinoto de Souza; Coorientadora: Aurycéia Jaquelyne Guimarães da Costa. 2026. 18 f. Trabalho de Curso (Licenciatura em Ciências Biológicas) – Faculdade de Ciências Biológicas. Instituto de Estudos Costeiros, Campus Universitário de Bragança, Universidade Federal do Pará, Bragança-PA, 2026. Disponível em: . Acesso em: .
A família Eleotridae compreende peixes anfídromos conhecidos como "sleepers", cuja identificação taxonômica é historicamente complexa devido ao extremo conservadorismo morfológico e à ocorrência de espécies crípticas. O objetivo deste estudo foi diagnosticar o status taxonômico de diferentes populações de Eleotris melanosoma por meio de DNA Barcoding e da delimitação automatizada de espécies. Sequências do gene mitocondrial Citocromo C Oxidase Subunidade I (COI), totalizando um alinhamento de 573 pares de bases (pb) e abrangendo 14 espécies do gênero Eleotris, foram obtidas de bancos de dados públicos e analisadas por meio do método de agrupamento de Neighbor-Joining (K2P) e do algoritmo Automatic Barcode Gap Discovery (ABGD). A análise de distribuição de distâncias genéticas revelou um padrão bimodal marcante, evidenciando um hiato de código de barras (barcode gap) bem definido que estabeleceu um consenso estável de 20 Unidades Taxonômicas Operacionais Moleculares (MOTUs) para o gênero. A topologia filogenética demonstrou que E. melanosoma não compõe um clado homogêneo, dividindo-se em três linhagens geneticamente divergentes e geograficamente estruturadas: a Linhagem 1, correspondente a espécimes da Indonésia e Palau (divergência intraespecífica de 0,43%); a Linhagem 2, que abrange indivíduos da Polinésia Francesa e Ilhas Salomão, apresentando a maior divergência interna (1,3%); e a Linhagem 3, vinculada ao complexo Eleotris diamsoi na região de Madagascar, Mayotte e África do Sul (0,15%). A divergência genética interespecífica par a par (distância p) dentro do complexo atingiu 5,4% entre as Linhagens 1 e 2, e até 7,3% em relação à Linhagem 3, confirmando a existência de espécies crípticas sob o morfotipo clássico de E. melanosoma. Adicionalmente, as análises recuperaram clusters estruturados para Eleotris fusca e mantiveram as sequências de Eleotris perniger agregadas em uma única MOTU, embora sob uma divergência intraespecífica relativamente alta de 1,3%, sugerindo um processo de diferenciação geográfica incipiente ou fluxo gênico residual. Os resultados confirmam a robustez do gene COI combinado ao algoritmo ABGD como ferramentas moleculares fundamentais para refinar hipóteses evolutivas e guiar uma abordagem taxonômica integrativa na família Eleotridae.

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