Navegando por Assunto "Encantaria"
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Trabalho de Curso - Graduação - Monografia Acesso aberto (Open Access) O encantamento do menino Bianor: memórias e territorialidades na Amazônia Atlântica, Curuçá-PA(2026-07-14) SANTOS, Elisandra Carneiro dos; PONTE, Vanderlúcia da Silva; http://lattes.cnpq.br/2911877430319887; https://orcid.org/0000-0003-3187-9348Este trabalho analisa a narrativa do encantamento de Bianor, karuana das águas da Vila de Mutucal, Ilha de Fora, município de Curuçá, suas relações com memória coletiva, territorialidade e preservação ambiental. Segundo a tradição oral da comunidade, Bianor era uma criança que, desapareceu enquanto se banhava no rio e transformou-se em karuana, tornando-se guardião das águas, das matas e dos manguezais da região. A pesquisa teve como objetivo compreender como essa narrativa influencia os modos de vida, os costumes e a relação dos moradores com a natureza, bem como identificar as memórias construídas sobre o encantado. Adotou-se abordagem qualitativa, fundamentada em pesquisa bibliográfica e em entrevistas semiestruturadas realizadas com quatro moradores da Vila de Mutucal. Com base nos estudos sobre memória coletiva de Maurice Halbwachs e Jacques Le Goff, sobre história oral de Alessandro Portelli, discutiu-se sobre territorialidade e cosmologias amazônicas. Os resultados demonstram que a memória sobre Bianor não constitui um relato isolado, mas um código moral de convivência com o território, transmitido oralmente entre gerações e atualizado no cotidiano comunitário. Da mesma maneira, que o encantado atua como autoridade territorial, regulando o uso dos recursos naturais, exigindo pedidos de licença para o acesso ao rio e às matas e punindo aqueles que desrespeitam tais regras, contribuindo para a preservação dos ecossistemas e suas diversidades. Conclui-se que a narrativa de Bianor configura-se como patrimônio cultural da comunidade de Mutucal, Articulando memórias, identidade e uma ética ambiental fundamentada em saberes tradicionais. A valorização e o registro dessa narrativa são fundamentais para a continuidade dessa cosmologia amazônica e para o reconhecimento da história e da identidade cultural da Amazônia paraense.