Navegando por Assunto "Ecologia de vetores"
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Trabalho de Curso - Graduação - Monografia Acesso aberto (Open Access) Aspectos clínicos, epidemiológicos e ambientais da Leishmaniose tegumentar americana na Amazônia brasileira(2025-03-21) BANDEIRA, Geisa Carvalho; COELHO, Aldine Cecília Lima; http://lattes.cnpq.br/1301455016936905; https://orcid.org/0000-0001-7467-6781; ALBARADO, Kaio Vinícius Paiva; http://lattes.cnpq.br/0329177830187385; https://orcid.org/0000-0002-0687-7124As leishmanioses são zoonoses que fazem parte do grupo de doenças tropicais negligenciadas (DTN) uma vez que ocorrem nos países mais pobres e atingem as populações extremamente vulneráveis das Américas, África e Ásia. Este estudo investigou os aspectos clínicos, epidemiológicos e ambientais da Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) na Região de Integração do Xingu, no Pará, Brasil, entre 2009 e 2021, com o objetivo de analisar a distribuição dos casos, calcular as taxas de incidência e relacionar as mudanças ambientais e climáticas com a ocorrência da doença. Trata-se de uma pesquisa de caráter ecológico, que utilizou dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), além de informações sobre desmatamento, focos de calor e uso do solo obtidas pelo Anuário Estatístico da Fadespa e Mapbiomas respectivamente. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, clínicas, ambientais e climáticas, utilizando métodos estatísticos descritivos e correlação de Pearson para identificar possíveis associações. Os resultados mostraram 8.181 casos de LTA no período, com maior incidência em homens (78,22%), pardos (69,18%) e na faixa etária de 20 a 39 anos (47,99%). A forma clínica predominante foi a cutânea (97,73%), com alta taxa de cura (86,52%). Os municípios de Medicilândia, Uruará e Altamira apresentaram os maiores números de casos. Observou-se um aumento significativo no desmatamento, com destaque para Vitória do Xingu (805,36%), Pacajá (615,83%) e Brasil Novo (538,52%), além de um pico de focos de calor em 2017 (9.348 casos). A análise climática revelou uma temperatura média anual de 25,9°C e precipitação de 170,9 mm, com uma queda de 5% na umidade relativa do ar entre 2010 e 2015. A correlação forte negativa entre umidade e desmatamento (r = -0,841) sugeriu que alterações microclimáticas podem potencializar a transmissão da LTA. Concluiu-se que a expansão de atividades agropecuárias, urbanização e grandes projetos de infraestrutura, como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, podem ter contribuido para os casos de LTA na região de estudo, facilitando a proliferação de flebotomíneos. Este estudo destacou a necessidade de políticas públicas integradas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, para mitigar os impactos ambientais e de saúde na região amazônica.