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Navegando por Autor "BANDEIRA, Ozenilda da Silva"

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    Trabalho de Curso - Graduação - MonografiaAcesso aberto (Open Access)
    Transformação socioespaciais na RI Xingu ( 2000 - 2022):a relação da gravidez precoce, no contexto da AHE Belo Monte, na produção do espaço
    (2026-02-12) BANDEIRA, Ozenilda da Silva; SILVA, Michelle Sena da; https://lattes.cnpq.br/6188052805317189
    A Região de Integração Xingu, no estado do Pará, passou, entre 2000 e 2022, por profundas transformações socioespaciais, intensificadas pela implantação do Aproveitamento Hidrelétrica de Belo Monte. Esse processo, articulado a políticas de integração nacional, promoveu mudanças demográficas, territoriais e socioeconômicas que repercutiram de forma direta sobre as condições de vida da população. Nesse contexto, a gravidez precoce entre meninas de 10 a 14 anos emerge como um indicador revelador das desigualdades estruturais e da produção assimétrica do espaço, expondo a vulnerabilidade de grupos sociais submetidos a processos históricos de exclusão. A pesquisa analisa a espacialização da gravidez precoce na RI Xingu, articulando referenciais da Geografia Humana, Regional e da Geografia da Saúde, destacando como os fluxos migratórios temporários impulsionados por Belo Monte reorganizaram o espaço e acirraram desigualdades. O crescimento urbano acelerado, a pressão sobre os serviços públicos e a intensificação das vulnerabilidades sociais produziram um cenário marcado pela baixa efetividade das políticas de prevenção e pela fragilidade das redes de proteção a crianças e adolescentes. Os dados do SINASC, IBGE e Ministério da Saúde revelam que, entre 2000 - 2022, persistem taxas elevadas de gravidez precoce nos municípios da RI Xingu, com maior incidência em Altamira e Vitória do Xingu, áreas diretamente impactadas pela instalação da usina. A baixa escolaridade materna, a prematuridade, o baixo peso ao nascer e a disparidade racial reforçam as configurações espaciais das vulnerabilidades social. O predomínio de nascimentos entre adolescentes pardas, pretas e indígenas indica a profundidade das desigualdades socioeconômicas e étnico-raciais presentes na região. A pesquisa demonstra que a dinâmica migratória associada às obras de Belo Monte desencadeou reestruturação regional e aumento da população jovem exposta a riscos sociais. A baixa efetividade de políticas públicas, especialmente no âmbito da educação sexual, do planejamento reprodutivo e da atenção básica, contribuiu para a manutenção de elevados índices de gestações indesejadas. O poder local, embora central na gestão da região enfrenta limitações estruturais para responder à magnitude das demandas sociais surgidas com a reconfiguração regional. Assim, a gravidez precoce se apresenta como fenômeno multiescala, que expressa as contradições entre desenvolvimento econômico e desigualdade social, evidenciando a necessidade de políticas integradas de saúde, educação e assistência, formuladas a partir das especificidades territoriais da Região de Integração Xingu.
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